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Tendências para 2026

  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Ajustes regulatórios, avanço da medicina preventiva e pressão por controle de custos devem alterar critérios de contratação e gestão dos planos de saúde nos próximos anos


A contratação de planos de saúde no Brasil entra em 2026 sob influência de transformações estruturais que vão além do reajuste anual de preços. O setor passa por mudanças impulsionadas por fatores regulatórios, demográficos e tecnológicos, ao mesmo tempo em que empresas e consumidores buscam maior previsibilidade de custos e eficiência na utilização dos serviços. O envelhecimento da população, a ampliação do uso de dados na gestão assistencial e a pressão por sustentabilidade financeira moldam um novo cenário para o mercado.


Nos últimos anos, o aumento das despesas médicas e hospitalares levou operadoras a reverem modelos tradicionais de cobertura. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar mostram que os custos assistenciais seguem crescendo acima da inflação geral, pressionando reajustes e exigindo estratégias mais refinadas de controle de sinistralidade. Em resposta, as empresas passaram a adotar critérios mais rigorosos na contratação e na gestão dos planos, movimento que tende a se aprofundar em 2026.


Um dos pontos centrais está na mudança de foco do tratamento para a prevenção. Programas de atenção primária à saúde ganham espaço como forma de reduzir internações e procedimentos de alto custo. Consultas periódicas, monitoramento de doenças crônicas e incentivo a hábitos saudáveis passam a ser incorporados de maneira mais estruturada aos contratos. Esse modelo, já presente em algumas operadoras, tende a se consolidar como padrão, alterando a lógica de uso do plano pelo beneficiário.


Regulação mais detalhada e contratos mais transparentes


No campo regulatório, ajustes nas normas da ANS devem trazer maior transparência sobre critérios de reajuste e composição de preços. A discussão sobre previsibilidade contratual e equilíbrio econômico-financeiro permanece no centro do debate, principalmente para empresas que oferecem o benefício como parte da política de retenção de talentos. A tendência é de contratos mais detalhados, com cláusulas que explicitem limites de cobertura, coparticipação e mecanismos de controle de custos.


Esse movimento exige maior atenção dos contratantes no momento da negociação. A leitura cuidadosa das condições contratuais passa a ser decisiva para evitar surpresas ao longo do ano, especialmente em períodos de alta utilização dos serviços. Em 2026, a relação entre empresas e operadoras tende a se tornar mais técnica e baseada em indicadores objetivos.


A digitalização também avança como elemento decisivo. A telemedicina, regulamentada de forma definitiva após a pandemia, deixa de ser apenas um recurso complementar e passa a integrar a jornada regular de atendimento. Em 2026, a expectativa é que consultas remotas, triagens digitais e prontuários eletrônicos interoperáveis reduzam custos operacionais e ampliem o acesso, especialmente em regiões com menor oferta de especialistas.


Personalização e gestão ativa do benefício


Outro fator relevante é a segmentação dos planos conforme o perfil do contratante. Operadoras têm investido em produtos mais personalizados, levando em conta faixa etária, histórico de utilização e porte da empresa. Essa segmentação busca reduzir desperdícios e alinhar o custo do plano ao risco real da carteira, exigindo maior envolvimento das empresas na gestão do benefício.


Nesse contexto, o plano de saúde PJ passa a ser analisado não apenas como despesa fixa, mas como ferramenta estratégica de gestão de pessoas. Empresas avaliam com mais cuidado o impacto do benefício sobre absenteísmo, produtividade e rotatividade. Estudos da Fundação Getúlio Vargas indicam que colaboradores com acesso regular a cuidados preventivos tendem a apresentar menos afastamentos prolongados, o que reforça a lógica de investimento em modelos mais eficientes de assistência.


A contratação em 2026 também deve refletir maior atenção à coparticipação. Esse mecanismo, no qual o beneficiário arca com parte do custo de determinados procedimentos, vem sendo utilizado como forma de estimular o uso consciente do plano. Embora gere debates sobre acesso, especialistas apontam que, quando bem calibrada, a coparticipação ajuda a equilibrar custos sem comprometer a qualidade do atendimento.


Além disso, cresce a exigência por dados e indicadores de desempenho. Empresas contratantes demandam relatórios mais detalhados sobre utilização, perfil de sinistros e efetividade das ações de saúde. Essa análise orientada por dados permite renegociar contratos, ajustar coberturas e implementar programas específicos para reduzir riscos futuros.


O cenário de 2026 aponta para um mercado de planos de saúde mais técnico, transparente e orientado à eficiência. Para quem contrata, a principal mudança está na necessidade de planejamento e análise contínua, substituindo decisões baseadas apenas em preço por avaliações mais amplas de custo-benefício. Em um ambiente de pressão econômica e transformação do setor, entender essas mudanças se torna essencial para garantir sustentabilidade e qualidade na assistência à saúde.


Da coluna Fronteira do Negócio, da Capital News.


 
 
 
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