Planos de saúde: foguetes que explodem
- 2 de jul. de 2025
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Muitas operadoras se lançam com voracidade no mercado de saúde, vendem muito e rapidamente e depois quebram, deixando clientes e prestadores na mão
Quem acredita em conto de fadas? Pode-se dizer que muita gente, porque aderir a um plano de saúde com mensalidade de R$ 56,66 e achar que vai ter atendimento, só pode ser encantamento. Mesmo assim, vários consumidores continuam caindo nesses golpes.
Aqui, vamos abordar não só exemplos de trajetórias meteóricas, mas estudar se a ANS está sendo omissa ou não em relação a esses aventureiros.
Pois bem. Ao longo dos últimos 15 anos, tivemos inúmeras empresas que surgiram, venderam e desapareceram. Algumas, de forma concentrada, numa única região. Outras, polarizadas.
No Recife foi curioso. Num intervalo de cerca de 2 a 3 anos, uma mesma carteira de beneficiários girou entre Real, Meridional e Viva saúde. Isso foi entre 2011 e 2013. Sempre citaremos esse case, que foi emblemático. Empresários trocavam apenas CNPJs e CPFs para enganar clientes e autoridades.
Entre algumas que já se foram e outras que representam risco, vale mencionar You Saúde, Blue Saúde e, mais recentemente, a Select.
No caso da You, ela já teve sua carteira encerrada pela ANS. Possui cerca de R$ 2 milhões em ativos garantidores e deve muito mais de R$ 10 milhões. A conta de encerramento não fecha!
A Blue, trata-se de mais uma jovem empresa que se aventura na saúde suplementar. Chama-se Integra Assistência Médica e, operando desde o final de 2022, ela saiu de 40 mil clientes para 85 mil em 2022. Atualmente, atingiu 101 mil consumidores. Possui R$ 35 milhões em provisões, com passivo circulante de R$ 72 milhões.
E a Select chama atenção pela mesma estratégia de sempre, destas empresas foguetes. Manchete anunciando agressivo plano de expansão.
Perante a ANS, possui 30 mil beneficiários, com receita (venda) aumentando 1000% em um ano e despesa assistencial no patamar de R$ 13 milhões. Possui R$ 15 milhões em ativos garantidores.
No ReclameAqui, ela possui 154 reclamações registradas, com 94 avaliadas e a nota média dos consumidores atinge 7.0.
Não podemos afirmar que essas duas últimas operadoras serão outros desastres, mas a história se repete, então, será que devemos esperar resultados diferentes?
A ANS, por sua vez, possui todas essas informações, até porque foram colhidas lá do PowerBi dela. Então deveria ser mais rigorosa, usar lupa na atuação desses players ou realmente incentivar o surgimento de start-ups, prestigiando a liberdade de mercado?
Ao nosso ver, o ideal seria um dashboard especial de acompanhamento. Ora, incremento de beneficiários de 1000% não pode ser um número considerado tão natural, a partir de certo patamar do crescimento. Então deveria sair da esteira comum e estar num compartimento fiscal de olhar carinhoso.
Então, a razoabilidade mostra que o incentivo deve acontecer sim, mas o incentivado precisa demonstrar segurança para prestadores e clientes.
Por enquanto, a ANS apenas observa, pune e depois porta a carteira. Mas a portabilidade é extremamente desgastante ao consumidor. Uma via crucis. Até acontecer, o atendimento não existe.
Enfim, bem que o regulador poderia ir um pouco além no monitoramento das novatas, evitando esse cemitério planejado de CNPJs, porque, no fim do dia, o maior prejudicado sempre é o próprio mercado e o elo mais fraco ninguém duvida que seja o beneficiário.
Após o enfim: será que a ANS deveria responder civilmente pelos prejuízos suportados em decorrência dessa suposta omissão de regular as "operadoras foguetes"? Um estudo para os próximos conteúdos...




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