Unimed Natal: o exemplo de fracasso do sistema cooperativo
- 19 de jan. de 2025
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Vamos direto ao ponto. Enquanto a maioria das empresas de planos de saúde enfrenta o desafio principal de satisfazer os seus clientes, isso não basta em uma cooperativa. Além dos beneficiários, a gestão precisa atender aos cooperados, sob pena de não se eleger nas eleições seguintes.
Quer dizer, todas se esforçam para enfrentar as exigências do regulador, das diversas autoridades do setor, dos investidores, dos credores, do Judiciário, até de políticos e etc. Mas só as Unimeds precisam fazer gestão política dos cooperados.
Vejamos o que está acontecendo agora na Unimed Natal.
Em números, a gestão do Presidente atual é péssima.

Para quem não gosta de gráficos, vou explicar. Segundo a ANS, a operação da Unimed Natal dá prejuízos seguidos desde julho de 2021, com exceção apenas do 1º trimestre de 2024. Entre janeiro e setembro do ano passado (último período disponível para consulta), a cooperativa piorou seu caixa em quase R$ 20 milhões de reais.
Analisar o resultado operacional é importante porque mostra exatamente se a equação entre as mensalidades recebidas menos os custos assistenciais e administrativos está gerando alguma receita positiva. É o que, ao nosso ver, reflete uma boa ou má operação. No caso de Natal, está péssima!
Mas, voltando ao nosso racional de hoje, o grande problema do Presidente da cooperativa, além dos prejuízos, é enfrentar os cooperados que lhe fazem oposição em véspera de eleição da diretoria.
No caso de Natal, o pleito será em março e os candidatos já se apresentaram desde dezembro.
A partir dessa pré-candidatura, iniciou-se uma série de ataques e batalhas de narrativas. A oposição aponta problemas de gestão e, de seu lado, a situação os acusa de prejudicar a própria cooperativa com a campanha de difamação.
A última polêmica envolve a volta do rateio dos prejuízos, o temido pro rata. A diretoria atual se vangloriava pela conquista do PRO RATA ZERO, mas os seguidos resultados deficitários obrigam agora a passar a conta ao cooperado.
Aproveitando-se disso, teve quem realizasse campanha em redes sociais que assustou a classe médica, mostrando uma suposta debandada de credenciados. Segundo noticiam, o rateio acarretou o descredenciamento em massa de vários médicos; mas parece que isso foi incentivado pela oposição.
Acontece que a história ainda não está tão clara. Houve descredenciamento ou descooperação? É o cooperado (sócio da cooperativa) e não o credenciado que participa de pro rata, ou não? A lista de descredenciados indicava pessoas jurídicas, mas essas também não se submetem ao rateio, ou se submetem? A notícia tá lacunosa!
Quem respira esse setor há décadas e conhece o sistema Unimed, sabe que não dá para confiar em informações pulverizadas em meio a uma disputa eleitoral. Por isso, preferimos aqui destacar a guerra de narrativas, a fagocitose do modelo cooperativo, enquanto aguardamos da Unimed Natal a sua versão oficial dos fatos - já solicitada formalmente.
Portanto, ao passo em que o Portal JS agradece as indicações de pauta, refirmamos aqui nosso compromisso de transmitir a informação completa, verdadeira e já traduzida para o público em geral.
Por enquanto, o que podemos concluir com a mais robusta certeza, é que a gestão da Unimed Natal realmente ostenta números terríveis e que o sistema político cooperativo na saúde é um enorme desafio adicional, capaz de terminar de afundar o navio, que já está à deriva.
Assim, independente do que disser o Dr. Fernando Pinto, estamos diante de um verdadeiro exemplo de fracasso do modelo e por isso elas estão como estão.




O que é de todos, não é de ninguém.
E sempre dá nisso.