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Remédios no supermercado, o tombo da Rede Américas e como sobreviver à judicialização
Hoje, destacamos três temas que se cruzam na saúde suplementar: uma lei que muda o mapa da distribuição de medicamentos no país, o resultado financeiro preocupante de uma das maiores redes hospitalares do Brasil — fruto da união entre DASA e Amil — e uma reflexão necessária sobre como as operadoras podem sobreviver ao tsunami da judicialização. Vamos ao que importa.
Remédios no supermercado: avanço ou risco?
Na última segunda-feira, dia 23 de março, o presidente Lula sancionou a Lei nº 15.357, publicada no Diário Oficial da União. A norma autoriza, pela primeira vez de forma regulada, a instalação de farmácias e drogarias dentro da área de vendas de supermercados.
Mas atenção — e aqui está o detalhe que a manchete não conta: não é remédio na gôndola entre o feijão e o amaciante. A lei exige espaço físico separado, exclusivo para atividade farmacêutica, com farmacêutico habilitado presente em todo o horário de funcionamento.
As regras sanitárias da Anvisa continuam valendo na íntegra.
O supermercado poderá operar a farmácia diretamente ou contratar uma rede já licenciada. Medicamentos controlados continuam com restrições — inclusive a entrega, que deve ocorrer em embalagem lacrada. A lei ainda libera a venda digital integrada, desde que respeitadas as normas sanitárias.
Lembrar aqui que os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamentos domiciliares, mas nos tratamentos prescritos os consumidores terão mais facilidade de acessar os remédios né?
Rede Américas: quando o balanço vai para a UTI
Na sexta-feira passada, a DASA divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2025. E o mercado reagiu com violência: as ações DASA3 despencaram quase 19% em um único pregão — a maior queda da bolsa no dia.
O prejuízo líquido consolidado foi de R$ 947,7 milhões no trimestre — quase 14% pior do que o mesmo período de 2024. No acumulado do ano, o rombo chegou a R$ 1,1 bilhão.
E o olho do furacão está na Rede Américas — a joint venture formada pela DASA com a Amil, que reúne 25 hospitais, 30 centros oncológicos e 23 centros médicos. A operação gerou receita bruta de R$ 3,4 bilhões no trimestre, mas registrou prejuízo líquido de R$ 204 milhões — com margem EBITDA de apenas 5,9%. Os analistas do BTG Pactual esperavam lucro de R$ 45 milhões. Ficou bem abaixo.
Como sobreviver à judicialização?
Falando em desafios estruturais, publiquei esta semana no Portal Justiça e Saúde um artigo sobre um tema que não sai da pauta de nenhuma operadora: a judicialização.
Os números são implacáveis. Ações contra planos de saúde crescem todo ano. E os vetores desse crescimento são conhecidos: o TEA — o Transtorno do Espectro Autista — virou um campo de batalha judicial, com prescrições extensas de terapias e o Judiciário inclinado a deferir tudo o que o médico assina. Os medicamentos de alto custo, incorporados ao rol da ANS em ritmo acelerado, chegam às operadoras antes que os contratos possam absorver esse custo. E o SISBAJUD — o sistema de bloqueio judicial de contas — opera como uma espada que fere sem distinguir culpados.
Mas o que eu defendo — e tenho defendido há anos — é que sobreviver à judicialização não é questão de sorte. É questão de estratégia. Uma operadora que aprende a mediar as dificuldades da regulação com seus clientes e prestadores, constrói credibilidade junto ao Judiciário. Tendo o beneficiário como aliado e não como adversário, colhe resultados concretos em contencioso, reputação e sustentabilidade.
Como me disse certa vez um desembargador: 'só não deixe o paciente estirado sobre o meu birô'. Ou seja: traga seu direito — mas traga também uma solução. Essa é a virada de chave que o setor precisa dar.




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