Coparticipação é útil?
- 29 de out. de 2025
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A contribuição financeira do paciente no pagamento dos seus próprios tratamentos é uma ferramenta essencial na sustentabilidade do setor
A coparticipação nos planos de saúde tem se mostrado um tema controverso no Brasil. Segundo pesquisa recente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), seis em cada dez trabalhadores brasileiros (61,9%) admitem pensar duas vezes antes de utilizar o plano de saúde devido à existência da coparticipação.
O estudo, que ouviu 1.000 pessoas em todo o país, revela que a coparticipação funciona como um mecanismo que faz o beneficiário refletir sobre a real necessidade do procedimento médico. Entre os entrevistados, 51,7% afirmam que a coparticipação os leva a avaliar com mais cuidado a necessidade de consultas e exames.
A pesquisa também aponta que 42,5% dos entrevistados consideram a coparticipação uma forma justa de dividir custos, enquanto 40,5% acreditam que ela ajuda a evitar o uso desnecessário do plano. Por outro lado, 35,9% dos participantes veem a coparticipação como um fator que dificulta o acesso aos serviços de saúde.
Atualmente, cerca de 75% dos beneficiários de planos de saúde empresariais possuem algum tipo de coparticipação em seus contratos. Esta modalidade estabelece que o beneficiário pague uma porcentagem do valor do procedimento médico realizado, geralmente variando entre 20% e 30%.
Manoel Peres, presidente da FenaSaúde, destaca que a coparticipação representa um modelo de compartilhamento de custos que contribui para a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar. Segundo ele, o mecanismo incentiva o uso consciente dos recursos disponíveis.
O estudo também revelou que 30,7% dos entrevistados já deixaram de realizar algum procedimento médico devido à coparticipação. Entre os que possuem plano empresarial, 36,9% afirmam ter conhecimento sobre o funcionamento da coparticipação em seu contrato.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem entendido que o valor da coparticipação não pode significar um limite financeiro que comprometa o acesso do beneficiário aos serviços de saúde. O tema ainda carece de regulação específica.
De todo modo, a coparticipação não deve ser vista como uma barreira ao acesso à saúde, mas sim como uma medida pedagógica que promove a racionalização do uso dos recursos disponíveis. Ao fazer o beneficiário refletir sobre a necessidade real de cada procedimento, ela contribui para a redução de exames e consultas desnecessárias, o que, em última análise, beneficia todo o sistema de saúde suplementar.
Quando utilizada de forma equilibrada e transparente, a coparticipação pode ser uma aliada importante na busca pela sustentabilidade financeira dos planos de saúde, sem comprometer a qualidade e o acesso aos serviços essenciais. O desafio está em encontrar o ponto de equilíbrio que permita conciliar a racionalização do uso com a garantia do acesso à saúde de qualidade para todos os beneficiários.




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