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O dominó chamado Unimed

Atualizado: 10 de jun.





O sistema Unimed é formado por várias cooperativas regionais, não é uma operadora só (muito embora elas tentem se vender ao cliente assim). A maiorias está em dificuldades.


Costumava ser muito forte, especialmente no Nordeste, onde a capilaridade de atendimento é mais necessária.

 

Mas, há não muito tempo, assistimos o tombo da Unimed Paulistana. Há pouco tempo, a Unimed Rio. Agora, a Central Nacional Unimed suspende vendas, para se reequilibrar. E não esqueçamos dos problemas já enfrentados com a Federação do Amazonas, a Unimed Manaus, a Unimed Belém, entre várias outras.

 

E qual será a próxima?

 

A cooperativa de Natal se esforça para evitar o pior. A de Fortaleza se encolhe e se protege como pode. A de Recife não sabe mais o que fazer.

 

A única que não apresenta sinais evidentes de fraqueza é a de Belo Horizonte. Mas sozinha, com o sistema de intercâmbio de atendimento falido, subsistiria?

 

Estudando números das regiões em que atuo, chamou atenção o fracasso da Unimed Norte/Nordeste após assumir a carteira da antiga CAMED. Deu vexame, tentou liminar contra a ANS, e hoje possui raros clientes, com um passivo de R$ 300 milhões.

 

De outro lado, a sala de situação da ANS informa que a Unimed Recife tem passivo de R$ 1.3 bilhões. Ela reúne 189.000 consumidores. O valor do passivo apontado no balanço é superior à receita anual da entidade. Ou seja, para pagar suas dívidas, a cooperativa teria que passar um ano recebendo as mensalidades, sem atender ninguém e nem gastar nada.

 

Todavia, há pelo menos 02 (dois) anos, a Unimed Recife acumula prejuízos, com custos maiores que as receitas. Em 2022 o rombo foi de R$ 50 milhões; em 2023 foi de R$ 25 milhões.


Numa situação dessas, o ativo indicado no balanço ajudaria? Parece que não, segundo as notas explicativas do preocupante relatório de auditoria independente sobre o ano de 2023.

Ainda mais, ela apresenta insuficiência dos índices de saúde financeira exigidos pelo regulador. Tudo está disponível no sítio eletrônico da própria operadora e no da ANS.

 

Em algumas dessas Unimeds verificamos presidentes há cerca de 30 anos no poder. Isso mesmo. Ainda que haja eleições, a mesma pessoa comanda tais cooperativas durante todo esse tempo, sem possibilitar a oxigenação da gestão.

 

Pode até ser que esse fator não seja o único motivo da crise, mas que é uma baita coincidência certamente não dá para negar.

 

Já em São Paulo, outra região na qual atuo, a situação não é tão melhor. A Unimed Ribeirão Preto se esforçou para reverter o prejuízo de 2022 e ter algum resultado em 2023. O parecer dos auditores independentes prevê ressalva.


Em conclusão, posso dizer que a crise é generalizada entre as referidas cooperativas; salvo raríssimas exceções.


Como um entusiasta da saúde, tento fazer meu papel, de discutir, orientar e apontar caminhos. A Central Nacional também. Os gestores de algumas Unimeds até têm se esforçado, valendo menção à Unimed Ceará. Mas a grande maioria continua errando.

 

Então, qual a solução? Desta vez eu não arriscarei palpitar, porque se a “mãe” dessas cooperativas está em frangalhos, como esperar recuperação no futuro das “filhas”?

 

Para mais detalhes, deixe sua dúvida ou observação e use o chat do Justiça e Saúde.

 

Elano Figueiredo, ex-diretor da ANS, advogado, especialista em sistemas de saúde e health speaker.






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20 Comments


Não li qualquer comentario seu, Elano, sobre a Unimed Campinas, 2a Unimed criada no Brasil, a 1a foi em Santos. Está com mais de 50 anos de existência. O que nos diz?

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Olá @rsimalha, que bom que você comentou aqui. Realmente eu não havia conseguido acesso aos números de Campinas, mas agora atualizei o post e convido a visitar a matéria do link https://www.justicaesaude.com.br/post/raio-x-do-sistema-unimed. Lá eu analiso também a Unimed Campinas.

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O financiamento à saúde é um problema mundial - os custos são elevados exponencialmente com a agregação de novas tecnologias de forma acelerada.

Essas novas tecnologias não substituem as anteriores, apenas agregam mais custos.

No Brasil, contratos são “interpretados” ao Bel prazer do juiz da vez com liminares que jamais retornarão uma vez executadas, uma ANS política.

Unimed tem problemas exatamente por serem cooperativas singulares, onde a força de trabalho tem algum poder de decisão na sua valorização, enquanto as SAs decidem o quanto pagam aos profissionais e por isso seguem enriquecendo às custas da baixa remuneração a profissionais qualificados.

Ha Unimeds com problemas? Sim, sempre há - mas o sistema funciona há muitas décadas, é um problema para as…

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Olá Otávio. Respeito sua opinião, muito embora eu tenha citado todas as fontes e sejam oficias. Tenho aprofundado a análise do assunto. Que tal visitar nosso novo post https://www.justicaesaude.com.br/post/raio-x-do-sistema-unimed?

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Enquanto colocarem médicos, que não são administradores, para cargos de gestão, com remunerações acima de mercado e que transformação a empresa em um oração público, isso não irá mudar. Aliás, irá afundar.

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Temos um cenário nacional de mais de 300 Unimeds; A maioria das Unimeds que você citou que estão em risco econômico deficitário, são Unimeds consideradas de grande Porte, e isso não quer dizer que o sistema está em colapso. O sistema é sólido e como de modo geral, temos boas e más administrações.

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Obrigado por comentar. Discordo. O sistema depende do intercâmbio e a situação é preocupante sim. A falta de higidez de algumas impacta em outras. Daí a relação com o "dominó". Por outro lado, um sistema em que as mais desenvolvidas estão comprometidas, significa o que para as demais?

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Sua análise do passivo da Unimed Recife está totalmente equivocada. Não existe passivo de 1.3 bilhão. Além disso, a seleção de Unimeds em situação ruim foi utilizada de maneira bem selecionada. De maneira geral, o Sistem Unimed apresenta uma situação considerada sólida, mesmo passando por período dificeis como os anos de 2021 e 2022. Abs.

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Olá Alex. Obrigado pelo comentário. Discordo. Mas sua opinião é sempre bem-vinda.

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