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  • elano53

Explica pra gente, Dr. Drauzio.








Um currículo como o do Dr. Drauzio Varella tem que ser respeitado. Quando ele fala ou escreve, merece atenção.


Essa semana, na Folha de São Paulo, ele publicou uma análise sobre o sistema de saúde suplementar no Brasil, criticando o modelo dos planos de saúde, lamentando os exageros em exames e, finalmente, defendendo que a única saída é a adoção de programas como o Estratégia Saúde da Família, do SUS.


Quando recebi o clipping, ansioso por absorver tão afamada opinião, devorei o texto. Depois li novamente. E de novo. Mas não teve jeito, realmente não concordo. Porque, para mim, a solução proposta não resolve os problemas apontados no próprio texto.


Ora, desde 2004, a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS aponta para o mesmo caminho do artigo, e estimula iniciativas de prevenção à saúde. Em 2019 já eram mais de 1.800 programas preventivos cadastrados pelas operadoras, abrangendo cerca de 2,3 milhões de beneficiários[1].


Então, o que o Dr. Drauzio sinaliza não é nenhuma novidade, e está sendo feito há 20 anos no setor. Se a solução fosse apenas essa, será que já não teríamos efeitos mais evidentes?


Divido com vocês essas perguntas que eu me fiz. Sei que é difícil discordar de uma das maiores autoridades de comunicação em medicina, mas realmente ainda não digeri a opinião manifestada.


E tem mais. Quando qualquer um aponta o SUS como parâmetro para salvar a saúde suplementar, eu também me indago: então, por que existem os planos? Por que todos os pacientes não estão no SUS?


Certamente eu aplaudo o PSF – Programa de Saúde da Família, implementado no Sistema Único, desde 1994 e enxergo a revolução causada na assistência pública. Não duvido mesmo! Acontece que o problema da saúde suplementar vai muito além da prevenção.


Juro que li o artigo desse ídolo com enorme expectativa de encontrar, ao final, uma dica de gestão, uma condenação explícita ao modelo fee for service, uma reprimenda às fraudes, uma solução de melhor acesso ou um novo formato de prevenção em riscos à saúde.


Ao contrário disso, o que encontrei foi uma desconexão entre sintoma e diagnóstico. Como a prevenção em saúde vai resolver o exagerado número de exames prescrito pelos médicos, relatado no próprio artigo?


Há tempos, fui muito criticado por um texto, em que reclamava da regulação do setor. Mas continuo firme no posicionamento de que a padronização da saúde privada, através de um plano referência mínimo (que é máximo), gerou uma oferta de produtos iguais e ruins. Quem quer contratar um modelo de atendimento diferente, com mais ou menos benefícios, não consegue, porque não existe. Atualmente, quase todas as operadoras oferecem uma mesma coisa, com tendência de verticalização, rede mínima e fortíssimo controle de autorização.


Assim, desafio-me a emendar o raciocínio sobre prevenção, acrescentando que uma certa medida de desregulação, com liberdade de mercado, soma-se como solução de eficácia, da crise dos planos de saúde. O estabelecimento de Franquia, por exemplo, é essencial para o barateamento das mensalidades. Um melhor regramento da coparticipação também.


Além disso, olhando para o assistencial, ainda existem várias outras portas nesse suposto “beco sem saída”. Já tão referida por muitos, podemos citar a implantação de um modelo de remuneração por qualidade e sucesso de serviços médico-hospitalares.


Mas, certamente, bala de prata não existe aqui.



Elano Figueiredo, fundador do Justiça e Saúde, é advogado, professor e debatedor de saúde suplementar.



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1 comentário


Batata-TS Batata
Batata-TS Batata
22 de out. de 2023

O conhecido Dráuzio BALELA, como dizia Olavo de Carvalho.


Sendo ele um dos preferidos da rede gLOBO, certamente é preciso ter cuidado e avaliar bem o que disser.


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