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  • elano53

Planos de saúde enfrentam queda de braço entre custos e reajustes



Operadoras focam em combate a fraudes e novas estratégias para reverter prejuízo operacional

A saúde suplementar teve prejuízo operacional de R$ 10,7 bilhões em 2022, consequência de custos assistenciais subindo mais que receitas, e manteve a tendência no primeiro trimestre de 2023. As operadoras tiveram perdas operacionais de R$ 1,7 bilhão nos primeiros três meses do ano, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Essa performance negativa foi compensada pela alta rentabilidade das aplicações financeiras, levando a um resultado líquido de R$ 620,6 milhões.


Segundo a ANS, os planos médicos fecharam 2022 com 50,5 milhões de beneficiários, o maior número desde 2014 – mais de 80% deles no segmento coletivo, especialmente empresarial. No primeiro semestre de 2023, já eram 50,8 milhões de usuários. “Projetamos um crescimento pequeno para este ano e devemos chegar em dezembro com 51,2 milhões de beneficiários”, avalia o superintendente-executivo da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Marcos Novais.


Esse crescimento, porém, não tem sido suficiente para colocar o setor no caminho do lucro operacional, por conta da alta taxa de sinistralidade. O índice ficou em 87,2% no trimestre, pouco mais de um ponto percentual sobre o mesmo período de 2022.Para Novais, o resultado operacional ainda será negativo neste ano, mas em montante menor. “Os ajustes feitos pelas operadoras começam a fazer efeito”, diz ele. Entidades como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) consideram que os reajustes extrapolam tanto a inflação quanto a pressão de custos. No caso de planos individuais, as taxas são fixadas pela ANS, mas nos planos coletivos a negociação é direta com a empresa contratante e os índices tendem a ser mais altos.


As contraprestações (mensalidades), afirma o Novais, ainda estão em patamar abaixo das necessidades para equilibrar o custeio das despesas. Os elevados índices de utilização, somados à incorporação de novas (e mais caras) tecnologias, trazem aumentos de custos que dificultam o acesso aos planos. Mas, acrescenta ele, à medida que os reajustes vão sendo aplicados, a tendência é de reequilíbrio dos contratos.


Novais vê tendência positiva para 2024, embora a evolução deva ser pequena. “O setor poderia crescer mais se houvesse base para isso, ou seja, um ambiente legislativo e regulatório mais equilibrado”, destaca, criticando as alterações na lei dos planos de saúde que vêm ocorrendo nos últimos anos e que, afirma, trazem insegurança jurídica ao setor.


Com R$ 30 bilhões em contraprestações no ano passado, a Bradesco Saúde nota um interesse maior por planos de saúde. “Prova disso é a marca de mais de 50 milhões de beneficiários em todo o Brasil, que foi retomada em 2022, voltando ao patamar de 2014”, afirma o diretor-presidente da empresa, Manoel Peres. No entanto, diz, permanece a busca pelo equilíbrio entre receitas e despesas diante da demanda por serviços e da ampliação de coberturas.


O lucro líquido da operadora caiu 40% no primeiro semestre, ante o mesmo período de 2022. Uma das estratégias da operadora – que só comercializa planos coletivos com foco em empresas e vem se dedicando especialmente às pequenas e médias – é apostar em produtos mais acessíveis. “A importância do segmento PMEs para o Grupo Bradesco Saúde reflete a relevância que esse segmento tem para a economia brasileira”, diz Peres. Hoje, mais de 170 mil empresas são clientes de planos para grupos de 3 a 199 vidas e a Bradesco Saúde, junto com a Mediservice, empresa do Grupo Bradesco Seguros, tem cerca de um milhão de beneficiários nessa categoria. A companhia fechou o primeiro semestre com 3,9 milhões de segurados, 148 mil a menos do que no fim do ano passado. Já os produtos regionais, presentes em 18 praças, fecharam 2022 com expansão de cerca de 60% no número de segurados.


Em outras frentes, a Bradesco Saúde vem expandindo a rede de clínicas Meu Doutor Novamed, que atua com foco em prevenção, por meio da Atlântica Hospitais e Participações – braço do Grupo Bradesco para investimentos no ramo. Já conta com 33 unidades, sendo 23 clínicas nas principais cidades e outras dez no modelo in company, instaladas dentro de empesas clientes. A operadora também firmou parceria entre a Atlântica e o Hospital Israelita Albert Einstein para erguer uma unidade hospitalar em São Paulo, com investimento de R$ 600 milhões e previsão de conclusão em 2027.


Já a gigante Hapvida NotreDame Intermédica, fruto da fusão entre as duas operadoras, fechou 2022 com 16 milhões de clientes entre saúde e odonto. A empresa concluiu, em janeiro, a aquisição da HB Saúde, que atua no interior paulista, trazendo 106 mil novos beneficiários. O diretor financeiro da companhia, Maurício Teixeira, não descarta ir novamente às compras, desde que os ativos façam sentido para a estratégia da operadora. Segundo ele, a primeira metade de 2023 foi um período de otimização de portfólio, equilíbrio financeiro e ajustes na rentabilidade. A Hapvida tem patrimônio líquido de R$ 48,7 bilhões em 2022.


Os números de 2023 mostram alta no desempenho da empresa, cuja receita cresceu 12,8% no primeiro trimestre (em relação ao mesmo período do ano passado) em virtude das altas de 5% em beneficiários e de 8,3% do tíquete médio, fruto da recomposição de preços que a operadora vem fazendo desde meados de 2022. A Hapvida encerrou o primeiro trimestre com 16,1 milhões de vidas em saúde e odonto, alta de 0,3% em relação ao final de 2022.


“A melhora no cenário nacional, com redução de desemprego e recuperação da atividade econômica, deve fortalecer o setor de saúde suplementar no segundo semestre”, destaca Teixeira. A expansão, diz, seguirá na rota do aumento dos níveis de integração e verticalização em regiões onde a Hapvida entrou recentemente. Em paralelo, a operadora vai alavancar o crescimento da base de clientes em regiões com infraestrutura ampla e consolidada. Nos primeiros três meses de 2023 foram inaugurados dois centros clínicos – em Goiás e no Rio de Janeiro –, um pronto- socorro autônomo em São Paulo e uma unidade de diagnóstico em Minas Gerais.


Para 2024, o executivo vê um cenário nacional mais favorável a negócios, potencializado por fatores como retração da inflação e redução gradual dos juros. “Temos perspectivas positivas para frente, com recuperação gradual das nossas margens.”


Outra que encara 2023 com otimismo é a SulAmérica Saúde, com lucro líquido em 2022 de R$ 485,9 milhões. Apostando em relacionamento e em opções de produtos para todas as regiões do país e todos os portes de empresas, a operadora viu o número de beneficiários crescer 7,9% em 2022 e hoje tem 5,5 milhões de usuários.


“Investimos em pesquisa de mercado e realizamos um trabalho constante com os corretores, que são fundamentais para o nosso negócio. Com isso, conseguimos identificar potenciais produtos e clientes”, conta Raquel Reis, CEO de Saúde & Odonto da SulAmérica. “Vamos lançar em breve dois novos produtos, sendo um deles regional com cobertura nacional que pode ser contratado por empresas com até duas vidas.”


Concentrada no processo de integração do negócio com a Rede D’Or de hospitais – a operadora foi comprada pelo grupo hospitalar em 2022 –, a SulAmérica atua em várias frentes de olho na redução de despesas, como o combate a fraudes. Um levantamento da Abramge mostra que há uma desproporção crescente entre a variação das despesas assistenciais e os pedidos de reembolso. A diferença, cujo valor ficou em R$ 7,1 bilhões entre 2019 e 2022, é tratada como fraude. A SulAmérica está mapeando casos, investindo em tecnologia e treinamento e reforçando a comunicação para aumentar a conscientização dos clientes. “É um trabalho fundamental para a sustentabilidade do negócio”, observa Reis.


No primeiro trimestre, a SulAmérica registrou sinistralidade de 88,6%, queda de quatro pontos percentuais em relação ao quarto trimestre do ano passado. No entanto, o número superou em 3,4 pontos percentuais o indicador dos primeiros três meses de 2022. Para 2024, as ações adotadas visando equilíbrio dos custos – entre elas combate a fraudes e regionalização de produtos – seguirão em curso. “A saúde do negócio está diretamente ligada ao sinistro”, avalia a executiva.


As fraudes também são lembradas por Aline Schellhas, CEO da Amil, integrante do americano United Health Group (UHG), como uma das vilãs do setor. Outro fator que também vem prejudicando a performance da Amil e de outras operadoras é a incorporação de novos medicamentos e de tecnologias de alto custo. A companhia encerrou o primeiro semestre de 2023 com cerca de 5,4 milhões de beneficiários, mesmo número do fechamento de 2022, com 4,2 milhões em planos coletivos empresariais, 929 mil em individuais e familiares e 215 mil em planos coletivos por adesão. A sinistralidade passou de 91% no primeiro semestre de 2022 para 95,4% nos seis primeiros nos seis primeiros meses deste ano.


“Este é um ano de retomada do crescimento com sustentabilidade, com foco em eficiência, novos produtos e parcerias estratégicas”, ressalta Schellhas. Para ultrapassar os obstáculos do setor, a Amil aposta em várias frentes, como novos produtos e gestão eficiente da operação. Entre as novidades, destaca-se o lançamento de um plano individual e familiar, em maio, em quatro municípios de São Paulo – capital, Guarulhos, Arujá e Mogi das Cruzes. A empresa avalia levar o produto para outras regiões. O plano tem atendimento integrado nos hospitais próprios e consultórios de múltiplas especialidades do Amil Espaço Saúde, o que permite maior previsibilidade de custos. A Amil também está integralizando serviços de alta complexidade, por meio de parcerias estratégicas, nas quais os prestadores são remunerados por um modelo pautado na eficiência do serviço. Dessa forma, observa a executiva, consegue ter precificação competitiva.


A Amil investiu, em 2022, cerca de R$ 500 milhões em melhorias de suas unidades assistenciais e em tecnologia e outros R$ 40 milhões em combate a fraudes. Em outra frente, adotou novos modelos de atendimento, desde a captação até a oferta de novas soluções para atrair e manter clientes de planos coletivos. No ano passado, a Amil exibiu um resultado de R$ 8,2 bilhões em aplicações financeiras.


Em períodos difíceis, uma estratégia bem articulada pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso. A Unimed-BH tem conseguido ficar no primeiro grupo, registrando lucro operacional de R$ 225,8 milhões. Os bons resultados são fruto da combinação entre gestão assistencial dos hospitais próprios e da rede prestadora, forte investimento em telemedicina e uso de inteligência artificial.


A tecnologia é uma aliada no cuidado integrado, visando monitoramento de pacientes de risco e a melhor resolutividade. A operadora também vem expandindo a rede própria, com a construção, iniciada em abril, de seu quinto hospital, em Contagem (MG), com investimentos próprios de R$ 350 milhões e inauguração prevista para 2026.


“Nosso crescimento está concentrado nos planos de contratação coletiva empresarial, empresas de médio e grande portes”, diz Frederico Peret, diretor-presidente da Unimed-BH. Segundo ele, a capilaridade da empresa, presente em 34 municípios da região metropolitana de Belo Horizonte, ajuda na atração e fidelização da clientela.


A Unimed-BH registrou, no fim de junho, 1,55 milhão de beneficiários, alta de 5,4% sobre o mesmo mês do ano passado. Do total de planos, 87,4% são coletivos, com 64,8% empresariais e 22,6% por adesão. Os individuais representam 12,6% do total de clientes.


A receita líquida na primeira metade de 2023 alcançou R$ 5,8 bilhões, a sinistralidade vem se mantendo na média de 80%, índice considerado sustentável por Peret. Ele conta ainda que, diante de um mercado competitivo, a Unimed-BH atua de forma proativa nas vendas e no marketing, com descontos especiais em datas comemorativas e oferta de serviços exclusivos para clientes corporativos.


Para 2024, a Unimed-BH segue a máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”. “Vamos dar continuidade às iniciativas que vêm sendo implementadas nos últimos anos e que têm fortalecido a nossa solidez”, ressalta Peret. Entre elas, o programa de qualidade assistencial, que envolve acompanhamento de indicadores, auditorias e reconhecimento dos hospitais e clínicas que compõem a rede.


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