O mercado de planos de saúde individuais
- 25 de jun.
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Enquanto a oferta de contratação para pessoas físicas não for impositiva, o mercado segue com tendências difíceis para esse tipo de consumidor
Na semana do reajuste anual divulgado pela ANS, muito tem se falado sobre os planos de saúde, na modalidade individual.
Todos sabem que o Brasil tem 8,6 milhões de consumidores com esse tipo de contrato - mas poderiam ser muito mais.
Por outro lado, você tem conhecimento de como essa população está distribuída entre as operadoras? Quem ainda comercializa o produto e mantém a carteira ativa? Preço?
Trago um resumido raio-x a seguir, olhando para as maiores do setor, que concentram a maior parte do público. Todas as informações foram providas pelos painéis dinâmicos da ANS.
A Unimed Nacional, em nítida reformulação, não tem na prateleira um único produto de plano individual ativo para venda. Reúne 1.907.165 consumidores de assistência médica, com uma população de apenas 40.695 heróis (2,2%) nos contratos individuais.
A Bradesco Saúde SA também não comercializa mais planos individuais. Ela possui 3.078.808 de beneficiários em assistência médica e, destes, apenas 99.362 (3,3%) estão em planos celebrados por pessoas físicas - bem antigos.
A Sul América muito parecida. Não comercializa mais, tem 2.218.307 clientes e, entre eles, 93.763 (4,2%) ainda estão categorizados no individual.
A Amil oferece hoje uma única opção de contrato na modalidade individual. Muito embora esteja ativo, o preço comercial oferecido é de R$ 4.013,00 para a 1ª faixa, atingindo R$ 9.642,00 para a última, acima de 59 anos. Ela tem 2.808.699 usuários de assistência médica, sendo 325.747 contratados via pessoa física (11,6%).
A Hapvida oferece 251 opções de planos individuais pelo Brasil. O valor inicial médio de venda parte de R$ 566,00. Seus beneficiários de medicina são 4.319.911, acumulando 1.051.181 em planos individuais (25%).
A Prevent Senior, que detém uma fatia considerável de idosos, suspendeu a comercialização dos planos familiares recentemente. Indica número de 555.146 beneficiários, com 522.168 sendo pessoas físicas. Aqui sim, um percentual animador: 94% da carteira.
Por mais que se critique, não há como negar a importância da Hapvida e da Prevent para esse específico mercado de acesso. Nitidamente são empresas que aprenderam a vender, controlar e assistir aos consumidores do segmento individual – enquanto todas as outras os temem.
Apesar de termos apontado dados específicos de uma Unimed - a Nacional - várias outras dessas cooperativas comercializam planos para pessoa física, mas a oferta tem diminuído aceleradamente.
A conclusão que podemos tirar disso tudo? Que os consumidores foram expulsos do plano individual, mais protegido pela regulamentação, e estão sujeitos agora aos abusos que vemos todos os dias.
Para se ter ideia, o PowerBi da Agência dá conta de quase 6,5 milhões de beneficiários inscritos em contratos empresariais com até 4 pessoas no plano! Ora, para eles, essa é obviamente a única alternativa de participar da saúde suplementar, à míngua dos planos individuais. Constituíram um CNPJ e incluíram a família.
E se existem mais 5,9 milhões de consumidores nos planos coletivos por adesão, eu arriscaria dizer que somos mais de 12 milhões que não conseguimos acessar a contratação individual – seja pela escassez dos produtos ou preço proibitivo. E digo "nós" pois estou nesse barco sim.
Tenho repetido bastante o tema, porque está difícil de engolir o reajuste anual que recebi, no patamar de 18%, quando deveria ser 6%. E, sim, eu já fiz 2 portabilidades (nos últimos 3 anos) tentando encontrar uma operadora em que eu me sinta acolhido; mas, não, ainda não encontrei.
Estou tomando o remédio possível para o quadro, mas continuo doente. O setor não está fácil, afinal não é para amadores.




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