Globo e BBA cogitam recuo da judicialização
- 1 de ago. de 2025
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Coluna Capital publicou: “enxurrada de processos contra planos de saúde dá, enfim, sinais de trégua”
Notícia divulgada dá conta que o número de processos movidos por clientes contra seus planos de saúde, que explodiu no passado recente, começa a dar sinais de arrefecimento. Baseados em informações do banco de dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), analisados também pelo Itaú BBA, eles dão conta que a quantidade de ações caiu 9% em junho, na comparação com o mês anterior, e 3% no comparativo anual.
Entretanto, os algoritmos de inteligência artificial não dizem o mesmo. Ao consulta-los, o resultado é o seguinte:
“Não há dados oficiais do CNJ que indiquem uma diminuição no número de processos contra planos de saúde em junho de 2025. Na verdade, dados do primeiro semestre de 2025 mostram um aumento de 6,8% no volume de novas ações judiciais contra planos de saúde, segundo o Valor Econômico”, diz o Gemini.
Essa inteligência artificial do Google para buscas, conhecida como AI Overviews ou Experiência de Pesquisa Generativa, oferece resumos e respostas com base em ampla coleta de dados disponíveis a respeito do assunto.
Em vista da tecnologia discordar da informação do Globo, fomos estudar o por que da divergência.
Ao consultar diretamente o CNJ, colhemos o seguinte gráfico evolutivo das novas ações:

Olhando para o comportamento dos processos, fica mais fácil entender que tanto os analistas do Globo, como o Gemini, têm motivos para cada posicionamento lançado.
Ora, em 2024, atingimos o maior pico de ações e o gráfico de 2025, especialmente junho, traduz uma leve tendência de melhoria.
Todavia, se avaliarmos intervalos anuais, verificaremos que essas oscilações, no passado, fazem parte da instabilidade da curva; quer dizer, a redução de demandas em um ou dois meses de determinado ano não significa, necessariamente, uma nova tendência.
Portanto, em que pese haver boa probabilidade do Globo estar antecipando um marco, pois realmente 2024 aparenta ter sido o ápice, o intervalo analisado não se mostra suficiente para cravar a nova tendência.
Aliás, com os resultados financeiros das operadoras melhorando e um rastro de reajustes tão altos, as ações nessa área devem crescer - os consumidores enxergam que houve exagero no aumento das mensalidades. Para a judicialização arrefecer de verdade, a assistência prestada teria que melhorar, ao ponto de reduzir a insatisfação e compensar a previsão de aceleração de processos contra reajustes.
Enfim, o papel da imprensa sempre foi publicar "furos", prever acontecimentos. Mas aqui a prudência se impõe. Esperemos um pouco mais, torcendo para que o jornalista Rennan Setti e o BBA estejam certos.




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