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  • elano53

Cooperativas têm 39% dos clientes de planos de saúde



"Modelo possui base local e forte vínculo com as comunidades” - Omar Abujamra Jr.

Interiorizar a medicina de qualidade e ampliar o acesso da população à saúde, em um país de dimensões continentais como o Brasil, não tem sido tarefa fácil para as cooperativas médicas no setor de saúde suplementar. Mas os resultados desse esforço são expressivos e lucrativos, avaliam empresários do setor. Ao menos 39% dos 50,5 milhões de brasileiros atendidos no sistema de saúde suplementar do país em 2022 passaram por cooperativas médicas e odontológicas, que registraram uma receita de R$ 87 bilhões no ano, 37% do total arrecadado por todo o setor.


São cerca de 400 cooperativas médicas, 200 mil profissionais e 120 milhões segundo levantamento da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB). “Isso só é possível com o modelo cooperativista, que possui base local e forte vínculo com as comunidades”, defende Omar Abujamra Júnior, presidente da Unimed do Brasil.


Criada em Santos (SP), a Unimed é formada por 340 cooperativas médicas e empresas, com 118 mil médicos cooperados e mais de 143 colaboradores diretos, que atendem 19,3 milhões de pessoas. Hoje, estão em operação 156 hospitais, 86 unidades de urgência e emergência, 509 clínicas, 42 centros de diagnóstico, 68 laboratórios e 27 serviços de atenção domiciliar. A receita do Sistema Unimed com operações de assistência à saúde, exceto odontologia, foi de R$ 77 bilhões no ano passado.


As cooperativas evoluem positivamente, igualmente, no segmento odontológico. Uma das maiores redes do país é o Sistema Nacional Uniodonto, criado em 1972, que hoje reúne mais de 20 mil cirurgiões-dentistas cooperados, associados em torno de 130 cooperativas, que por sua vez são agrupadas em nove federações regionais. “Atendemos 2,5 milhões de pessoas, em sua grande maioria ligadas às empresas com beneficiários de planos empresariais”, conta Vladimir Borin, presidente da Uniodonto Campinas.


Segundo ele, o sistema Uniodonto cresce inserido nos princípios do cooperativismo sustentável, que contemplam a adesão livre e voluntária, gestão democrática, participação econômica e interesse pela comunidade. Recentemente, indica Borin, o sistema passou pela reformulação de sua marca, buscando maior uniformidade entre os cooperativados. “Agora estamos na fase de reestruturação, buscando chegar de maneira mais assertiva a um número maior de empresas e pessoas que realmente se preocupam com a saúde bucal e qualidade de vida”, afirma.


A difusão do cooperativismo conta também com contribuição das federações regionais, como a Federação Nacional das Cooperativas Médicas (Fencom), que reúne 37 cooperativas filiadas em Minas Gerais, Alagoas e Rio Grande do Sul. Em 2022, o faturamento das cooperativas de trabalho foi de R$ 1,1 bilhão, o que corresponde ao valor repassado para mais de 30 mil cooperados que atuam na saúde suplementar e no Sistema Único de Saúde (SUS), destaca Cáthia Costa Carvalho Rabelo, diretora-presidente da Fencom. “Nosso objetivo é contribuir para o sucesso das cooperativas de trabalho médico filiadas, oferecendo informações, suporte, treinamento e assessoria nas mais diversas”, indica.


Redução de custos para o consumidor, democratização do acesso à saúde, aumento do mercado de trabalho para os profissionais da área e a qualidade do serviço prestado são as vantagens do modelo cooperativo e razões do sucesso das cooperativas médicas nos últimos anos, na avaliação de Hugo Andrade, coordenador de ramos do Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil). Porém, é preciso superar ainda algumas dificuldades regulatórias para manter o atual ritmo de expansão, avalia.


A tributação é uma das preocupações. As principais cooperativas participaram ativamente dos debates da Reforma Tributária e consideram, de acordo com Andrade, que o texto aprovado na Câmara dos Deputados garante importantes avanços para o cooperativismo dentro da Constituição Federal e viabiliza o modelo de negócios. O texto ainda será avaliado pelo Senado.


“Um destaque é a possibilidade de um regime específico de tributação para as cooperativas, que poderão escolher pelo regime especial ou pela regra geral”, comenta o coordenador. “Mas ainda restam outras reflexões de grande relevância, envolvendo a não incidência e a cadeia de créditos, a possibilidade de regime especial - e qual o modelo a ser adotado a esse regime - e a alíquota de referencia reduzida”, afirma Andrade.


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