CFM discute cirurgias plásticas
- 5 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Conselho realizará fórum para discutir os excessos na procura pela beleza e a segurança do paciente
O I Fórum de Cirurgia Plástica, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), aborda um tema de extrema relevância na sociedade contemporânea: a busca excessiva pela beleza e a segurança do paciente. Nos últimos anos, observamos um crescimento exponencial na demanda por procedimentos estéticos, refletindo as pressões sociais e culturais em torno da estética. No entanto, é crucial que essa discussão não se restrinja apenas à conduta dos profissionais não médicos, como o CFM tem enfatizado. A segurança do paciente deve ser uma preocupação que abrange todos os envolvidos na prática da cirurgia plástica, incluindo os médicos.
O foco nas condutas inadequadas de "não médicos" é válido e necessário, mas é um erro desconsiderar que também existem incidentes graves e até fatais associados a cirurgiões plásticos formados e em exercício. Essa visão restrita pode criar a falsa impressão de que todos os problemas na área são atribuíveis a profissionais não qualificados, ignorando casos em que médicos experientes também falharam.
Nos últimos cinco anos, diversos casos de erros médicos em cirurgias plásticas tiveram um impacto significativo, revelando a necessidade de uma análise mais abrangente. Um exemplo notório é o do cirurgião Felipe Mendonça, que enfrentou acusações de 18 mulheres que relataram sequelas severas após procedimentos como lipoaspiração e abdominoplastia. As denúncias incluem alegações de mau uso de próteses e suturas inadequadas, resultando em complicações graves que afetaram a saúde e a autoestima das pacientes.
Outro caso alarmante ocorreu em 2023, quando um procedimento de aumento de mama resultou em uma infecção severa, levando a paciente a ser hospitalizada e submetida a múltiplas cirurgias corretivas. Esse tipo de erro médico não é isolado, e a quantidade de queixas relacionadas a procedimentos estéticos tem aumentado, respondendo por mais de 50% das queixas registradas nos serviços de saúde.
É imperativo que o debate sobre a segurança do paciente em cirurgias plásticas considere a responsabilidade de todos os profissionais envolvidos. A formação contínua dos médicos e a adesão a protocolos de segurança são essenciais para minimizar os riscos. Além disso, o CFM deveria promover campanhas de conscientização tanto para médicos quanto para pacientes, enfatizando a importância de escolhas informadas e da seleção criteriosa de profissionais qualificados.
Assim, o I Fórum de Cirurgia Plástica deve ser um passo em direção a uma discussão mais inclusiva, que não apenas responsabilize os não médicos, mas também aborde as falhas que podem ocorrer dentro da própria classe médica. A segurança do paciente deve ser o foco central, e isso exige um olhar crítico e abrangente sobre toda a prática da cirurgia plástica.




Comentários