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  • elano53

Análise: O ano de 2023 vai ser de reajuste de preço de planos de saúde



Essa mudança no comportamento das operadoras vem após o setor de planos de saúde apurar um prejuízo de mais de R$ 10 bilhões em 2022, com taxas recordes de sinistralidade

O discurso de Hapvida e SulAmérica, durante suas teleconferências para analistas e investidores nesta terça-feira, foi o mesmo: a prioridade neste ano é o reajuste de preço mesmo que esse aumento represente perder clientes.


É uma posição contrária de anos anteriores, quando o maior interesse era ganhar mercado.


A Hapvida, que sempre foi mais resistente em reajustar preços e foi duramente criticada por investidores no trimestre anterior, foi bem clara nesta terça. “Podemos não ter crescimento forte [de número de usuários] neste ano porque estamos privilegiando preço”, disse Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida. A companhia estima que o tíquete médio de seus planos tenha um aumento de 15% neste ano.


Na SulAmérica, Raquel Giglio, presidente da área de saúde e odontologia da seguradora, ressaltou que o seu foco e de todo setor em 2023 é o aumento de preço. “A tônica de todo o setor é recomposição de preço, ainda que signifique menor crescimento. Com exceção de uma empresa do Rio de Janeiro, que está mais agressiva, todos estão com olhar de recompor preço”, disse Raquel.


Segundo Paulo Moll, presidente da Rede D’Or, a meta é que a taxa de sinistralidade volte aos patatamares pré-pandemia. No primeiro trimestre, a SulAmérica apurou sinistralidade de 88,6%, o que representa uma queda de 4 pontos percentuais em relação ao quarto trimestre, mas ainda está 3,4 pontos percentuais acima quando comparado ao mesmo período de 2022.


Essa mudança no comportamento das operadoras vem após o setor de planos de saúde apurar um prejuízo de mais de R$ 10 bilhões em 2022, com taxas recordes de sinistralidade.


Ambas as empresas que juntas têm cerca de 12 milhões de usuários e atuam em públicos distintos — Hapvida, na base da pirâmide e SulAmérica, segmentos intermediário e alto — estão criando novos produtos mais em conta e otimizando suas estrutura de custos. A SulAmérica lançou um plano de saúde em que boa parte dos hospitais pertence à D’Or em Fortaleza e Aracaju, praças em que a seguradora não tem atuação forte. A Hapvida, por sua vez, está ampliando a verticalização dos planos de saúde da Intermédica em praças como Minas Gerais, Joinville, Brasilia, Pará, entre outras.


No segmento de PME (pequenas e médias empresas), com até 30 vidas, os reajustes estão entre 16,7% e 24,9% — bem acima da inflação. A modalidade PME é a que mais cresce no setor. Esses reajustes foram aplicados pelas seguintes operadoras Hapvida, Bradesco Saúde, SulAmérica, Amil, Porto Saúde, Care Plus, Omint, Seguros Unimed, Unimed Nacional, Unimed-BH e Unimed-Rio, segundo levantamento feito por analistas de banco que acompanham o setor.


Desde a deflagração da pandemia, em março de 2020, houve a entrada de mais de 3 milhões de novos usuários de plano de saúde. Boa parte dessa demanda veio do receio da população em ficar sem atendimento médico durante a pandemia. Em 2020, o número de procedimentos foi baixo devido ao isolamento social, mas após 2021 houve um aumento significativo no uso do plano de saúde por demanda reprimida, surgimento de novas doenças e tratamentos.


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