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Alô, é do CADE? D'or + Fleury pode?

  • 22 de jul.
  • 2 min de leitura
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Como a operação entre as duas gigantes D’or e Fleury pode impactar na concorrência do setor


Analistas festejam a possibilidade de aquisição do Grupo Fleury pela Rede D’or. A notícia foi tão bem recebida no mercado, que o valor das ações da suposta adquirida saltou 15%.


A transação, que combina pagamento em dinheiro e ações, visa integrar as operações das duas gigantes, avaliadas em R$ 75 bilhões (Rede D’Or) e R$ 6,9 bilhões (Fleury). As conversas envolvem o Bradesco, que detém 24,9% do Fleury, e buscam agradar acionistas-chave, como família Pardini. O objetivo é consolidar serviços hospitalares e diagnósticos, ampliando a eficiência e a competitividade no mercado. A oferta está assessorada por JP Morgan e Morgan Stanley, ou seja, não tem amador nesse jogo.


A pergunta que fica, no entanto, é a seguinte: o que sobra no mercado? No Rio de Janeiro, por exemplo, restará muito pouco.


Desde 2017, o Fleury realizou 19 aquisições de outros serviços.


A Rede D’Or, com 79 hospitais e mais de 13 mil leitos, tem expandido agressivamente sua presença no Brasil. A possível aquisição do Fleury, que opera 25 diagnostic centers e processa 5,8 milhões de testes anuais, fortalece sua posição em medicina diagnóstica. A empresa, que já atua no segmento com a marca Richet no Rio de Janeiro, enxerga na integração com o Fleury uma oportunidade de ampliar serviços e reduzir custos operacionais. A transação também reforça a parceria com o Bradesco, que busca otimizar sua operação de saúde suplementar em um cenário de alta inflação médica.


Assim, o que estamos assistindo é uma atuação combinada de vários gigantes do mercado. Além de Rede D’or e Fleury, estão envolvidos:


- SulAmérica, plano de saúde da D’or;

- Bradesco, entidade que opera planos de saúde, detentora da participação a ser vendida no Fleury;

- Família Moll, grupo agressivo de consolidação de mercado;

- Grupo Pardini.


Pronto. Está alinhado o mais poderoso PIB da saúde privada no Brasil.


Então, tanto pelo alinhamento concertado de players tão grandes, como pela diminuição significativa da concorrência em mercado relevante, os mais cautelosos já se preocupam com a aprovação dessa operação no CADE.


Mesmo assim, o Bradesco BBI acredita que a baixa exposição da Rede D’Or em diagnósticos ambulatoriais reduz riscos de objeção. Atenção para esse nosso alerta. Temos o braço estruturante do Bradesco (BBI) analisando e divulgando opinião otimista sobre operação em que o próprio Bradesco consta como principal interessado.


Chama atenção essa descarada participação do Bradesco num papel central da transação, não apenas como acionista majoritário do Fleury, mas aparecendo como parceiro estratégico da Rede D’Or. A joint venture Atlântica D’Or, anunciada em 2024, já sinalizava a aproximação entre as duas instituições. A fusão com o Fleury pode fortalecer ainda mais essa aliança.


Traduzindo para quem não entendeu, estamos falando de uma grande confusão de atuação entre Bradesco e SulAmérica também, duas das maiores operadoras de planos de saúde do país.


Pode isso? As raízes se entrelaçam, sem um anúncio formal, pois dificilmente o CADE aprovaria uma consolidação nesse nível, das operadoras entre si.


Agora, vamos esperar o que dizem as autoridades.

 
 
 

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