2,5 milhões de vítimas
- 17 de ago.
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Mesmo diante de reajustes oficiais de 6%, a Qualicorp anuncia que reajustará os seus planos por adesão em cerca de 20%. Ano passado foi 23%.
Na escolha do título do conteúdo fiquei em dúvida se deveria usar “vítimas” ou “trouxas”, porque é isso que estão fazendo de nós, consumidores. De qualquer forma, a verdade é que milhões de pessoas sofrem com uma postura tirana e injustificável de determinadas empresas da saúde, que impõem reajuste mais de três vezes superior ao que a ANS calcula como necessário.
Mas não posso entrar nesse assunto sem lembrar de que todo o problema advém da fuga de vender planos individuais. A Qualicorp nasceu como produto alternativo, que permite aderir a um plano de saúde, por meio de entidades de classe – para muitos o falso-coletivo.
Com isso, tornou-se verdadeira potência na saúde suplementar. Não existe nenhuma outra Administradora que chegue perto do seu tamanho, seja em clientes, faturamento ou prestígio político.
Em 2024, a operadora praticou reajustes na faixa de 23%, contra 6,91% autorizados pela ANS. Obteve lucro líquido de R$ 18 milhões. Mas não parece ter sido suficiente.
O Valor anuncia que a administradora calcula o reajuste de 2025 na faixa de 20% (contra 6% da ANS). Para dar um tom "bonzinho", usou a expressão “pouco abaixo de 20%”; talvez 19,9%.
Só no primeiro semestre de 2025, a empresa já atingiu lucro maior que o do ano anterior, na casa de R$ 18,1 milhões. Então, será que precisa, realmente, manter o patamar de reajuste tão alto?
Sou um defensor da sustentabilidade do setor, mas são esses abusos que me indignam.
Os empresários criam uma fórmula para fugir do engessamento do reajuste dos planos individuais regulados pela ANS. Ok. E quando o desenho dá certo, perdem a mão, exageram na liberdade, com chuva de cancelamentos unilaterais e reajustes além do necessário. Depois aparecem reclamando quando o regulador interfere nesse tipo de política de mercado perversa.
Ora, se os planos vendidos pela Qualicorp são individuais “transvestidos” de coletivo, se isso já passou no teste de legalidade (mesmo que tenha sido numa época em que o presidente da ANS era pessoa proveniente dos quadros dessa administradora), por que impor um reajuste três vezes maior que o calculado pela ANS? Não bastaria 12%? O dobro do necessário não seria um abuso palatável, que doeria menos e permitira a continuidade tranquila do golpe falso-coletivo?
Tenho que admitir que isso mostra uma falha minha enorme. Por duas décadas acreditei que as empresas de saúde eram tidas como vilãs injustamente. Hoje em dia, tenho que dizer: “vamos separar o joio do trigo; algumas raras não são”.
Calma, leitor. Ainda existem operadoras e administradoras que entendem o conceito de mercado, que enxergam os efeitos do abuso, que se preocupam em satisfação do consumidor como premissa de mais vendas. Mas, infelizmente, algumas grandes querem mais é se livrar dos clientes.




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