Ética médica em baixa
- 12 de set.
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O sacrificado investimento numa faculdade de medicina tem formado profissionais ávidos por compensação financeira
O elevado sacrífico de entrar, cursar e custear a formação em medicina pode levar a dilemas éticos no exercício da profissão. Muitos acabam priorizando ganhos em detrimento do compromisso com o paciente, tornando fundamental reforçar os valores humanísticos e a responsabilidade social na formação médica.
Parece que o processo para se chegar a médico tem levado ao pensamento de que "agora preciso ganhar muito para compensar tudo que investi e sofri na formação".
Além disso, é importante destacar que o ambiente competitivo e a pressão por resultados financeiros muitas vezes contribuem para o desgaste emocional e o afastamento dos princípios éticos. A valorização do cuidado, da empatia e do respeito à dignidade humana deve ser constantemente incentivada, tanto na graduação quanto na prática profissional, para garantir uma medicina mais justa e sensível às necessidades da sociedade.
Para enfrentar esses desafios, torna-se essencial promover discussões éticas durante a formação acadêmica e incentivar o desenvolvimento de uma postura crítica e reflexiva diante das escolhas profissionais - papel importante das universidades. Incentivar programas de apoio psicológico e debates sobre ética pode ajudar os futuros médicos a lidar melhor com as pressões do mercado, fortalecendo o compromisso com o bem-estar coletivo e a integridade no exercício da medicina.
Adicionalmente, é relevante considerar que a atuação ética do médico impacta diretamente a confiança da sociedade no sistema de saúde. O fortalecimento de uma cultura ética não apenas protege o paciente, mas também contribui para a valorização da profissão e para a construção de ambientes mais colaborativos e saudáveis dentro das instituições médicas.
O Conselho Federal de Medicina - CFM tem papel relevante nessa missão, mas não se pode dizer que está sendo suficientemente rigoroso no controle, na apuração e nas punições de quem tem colocado o dinheiro acima da moral, nesta área.
A quantidade de fraudes desmascaradas contra planos de saúde é um termômetro do que estamos comentando aqui. O impacto desses desvios afeta milhares de indivíduos que suam para pagar as mensalidades do seu plano privado.
O pior de tudo é que as autoridades sabem exatamente onde residem os focos de corrupção médica. Conhecem as especialidades mais expostas à comissão, prescrição direcionada para determinadas marcas, a uma subjetividade clínica capaz de permitir cobranças excessivas – tal como as terapias de TEA. Mas fecham os olhos!
Ainda que o esforço deva envolver diversos conselhos profissionais, porque temos dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, farmacêuticos e outras categorias envolvidas, obviamente o CFM é, hoje, o mais forte entre todos eles e o único capaz de liderar tal combate.
Portanto, é imprescindível que haja maior envolvimento da Diretoria deste Conselho, com o especial objetivo de conduzir a um compromisso coletivo e permanente com a ética médica, tanto por parte das entidades reguladoras quanto dos próprios profissionais, para que o cuidado ao paciente seja sempre colocado acima de interesses particulares. Somente assim será possível recuperar a credibilidade do setor e promover um ambiente de saúde mais transparente, justo e digno para todos.




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